segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Together Forever - Capítulo 36

 Passava um pouco das seis e meia da manhã quando acordei de mais um cochilo. Aquela havia sido a pior noite da minha vida. Eu não conseguia dormir direito. Sempre que eu conseguia, alguma coisa me acordava. Sem falar que o sofá era muito desconfortável. Enfim, uma péssima noite.
 Depois de ter visto meu pai, saí para caminhar pelo hospital. Eu não podia ficar ali sozinha. Eu só tinha 14 anos. Não podia lidar com tudo aquilo sozinha. Precisava de ajuda.
 Quando passei em frente à lanchonete do hospital, minha barriga roncou. Deus, fazia quanto tempo que eu não comia nada? Pedi um suco com um sanduíche. Simplesmente foi a melhor comida do mundo.
 Depois caminhei pelo hospital, pensando em quem poderia me ajudar. E o resultado não foi animador. Eu estava em outro país e não conhecia ninguém além dos meus amigos. Eu só conhecia gente no Brasil.
 Então uma ideia iluminou minha cabeça. Levantei do sofá procurando meu celular. Só havia uma pessoa que poderia me ajudar e eu tinha certeza que ela não negaria.
 Disquei o número. Ela demorou um pouco para atender.
 - Alô? - disse minha mãe sonolenta.
 - Mãe? - chamei. - Mãe!
 - Samantha? - ela acordou um pouco mais.
 - Sou eu mãe! - falei.
 - Filha, sabe que horas são? - ela não estava zangada. Estava apenas com sono.
 - Mãe, não ligaria para você se não fosse realmente importante.
 - Pelo seu tom é mesmo importante. Fale.
 E eu contei tudo a ela. Contei do infarto do meu pai e como eu o encontrei caído no chão. Contei sobre o seu estado e sobre as sequelas que poderia haver. Também contei que eu estava sozinha.
 - Ah, filha! E como você está? - perguntou ela, preocupada.
 - Eu não sei, mãe - falei esfregando a testa. - Sinceramente, eu não sei.
 - E não tem ninguém aí pra te ajudar? - perguntou.
 - Eu não conheço ninguém aqui. Estou sozinha agora - falei.
 - Bem, - disse ela pensativa - e se eu fosse para aí?
 - Claro! - disse eu, entusiasmada. - Era tudo que eu estava precisando.
 - Então eu chego aí o mais rápido que puder - disse minha mãe.
 - Ah, mãe! Obrigada mesmo! - falei. - Te amo muito!
 - Também te amo muito. - Minha mãe estava com a voz embargada de emoção. - Te vejo em breve. Tchau!
 - Tchau.
 Desliguei o celular e sentei. Já era meio caminho andado. Já podia ficar mais tranquila, se é que se pode ficar tranquila quando seu pai está num leito de hospital depois de sofrer um infarto e quase ter morrido.
 Decidi ir tomar um café na lanchonete do hospital.
 Então um pensamento inundou minha mente. Era Justin. Minha cabeça acordou como se tivesse levado um choque elétrico. Pra quê café quando se tem um menino lindo como Justin pra te acordar?, pensei.
 Menino lindo? Eu devia estar enlouquecendo. Como posso achá-lo lindo se eu o odeio? Além do mais ele nunca iria me achar linda, já que ele me odeia também. Onde eu estava com a cabeça?
 Pedi meu café e sentei em uma das mesas.
 Bem, ele era mesmo lindo, mas não que eu fosse admitir isso para alguém.
 Fiquei na lanchonete sorrindo como uma boba e encarando meu café.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Together Forever - Capítulo 35

Samantha


 Abri meus olhos numa sala branca. Com certeza não era o meu quarto. Minha cabeça estava em cima de alguma coisa dura e o meu pescoço doía. Havia um cobertor em cima de mim. Fui levantando devagar e descobri porque meu pescoço estava doendo. Estava deitada no braço de um sofá.
 Sentei no sofá e esfreguei meu pescoço. Olhei o relógio que estava na parede. Passava um pouco da meia-noite. Horas sem notícias. Eu havia passado horas sem notícias do meu pai. Chorei e dormi sem nenhuma notícia dele.
 Foi então que eu me toquei do que tinha acontecido.
 Ele estava comigo. Ele veio até o hospital, me confortou quando eu estava chorando e me cobriu quando eu dormi no seu colo. Meu coração martelou no meu peito. Um sorriso estúpido se formou no meu rosto. Ele veio atrás de mim, cantarolou meu pensamento. Ele veio atrás de mim, ele veio atrás de mim, ele veio atrás de mim!
 Uma mão tocou meu ombro.
 - Você é Samantha Williams? - perguntou uma enfermeira.
 - Sou eu sim. - O sorriso sumiu do meu rosto.
 - O dr. Dare quer conversar com você - disse a mulher. - Me acompanhe, por favor.
 Levantei da minha cama improvisada e comecei a segui-la pelos corredores do hospital. Enquanto tentava me concentrar nos meus passos, meu subconsciente fazia perguntas idiotas como "será que ele vem me ver hoje de novo?" ou, "será que ele está pensando em mim agora?" ou, pior ainda, "será que ele está com saudades de mim?". Cale a boca, ralhei. É obvio que ele não está pensando em você agora, então cale a boca e pense no meu importante agora. 
 Aquela guerra mental era mais bizarra que anjos do bem e diabinhos do mal que ficam tentando as pessoas nos desenhos animados.
 A enfermeira parou e eu quase esbarrei nela. No balcão à nossa frente havia um homem alto e moreno com um jaleco branco escrevendo num papel.
 - Dr. Dare - começou a mulher, - aqui está ela.
 - Obrigada, Sue - disse ele.
 A enfermeira assentiu e saiu. O médico passou a me encarar.
 - Bem, vou direto ao ponto - disse o homem. - Nós conseguimos reanimal seu pai.
 Sorri. Ele iria ficar bem.
 - Mas... - ele falou.
 O sorriso desapareceu.
 - Mas o quê? - perguntei.
 - Mas ele passou muito tempo sem circulação de sangue em algumas partes do corpo, principalmente no cérebro - disse o dr. Dare. - Ele ainda não acordou, então não podemos ver a extensão dos danos.
 Senti as lágrimas vindo.
 - Que tipo de danos? - perguntei num sussurro.
 - Bem, isso só ele nos dirá. - Concluiu o médico. - Mas ele precisa ficar em monitoramento o dia inteiro.
 - Eu posso vê-lo? - perguntei.
 - Claro - disse o homem. - Me acompanhe.
 Andamos por mais alguns corredores e paramos na porta do quarto 101. A essa altura meu cérebro já estava entorpecido.
 Abri a porta e o vi. Meu pai estava deitado em uma cama no meio do quarto. Vários aparelhos estavam conectados ao seu peito, inclusive aquele que fazia o bip irritante. Ele respirava profundamente e seu rosto estava sereno.
 Me aproximei da cama e peguei sua mão.
 - Oi, papai - sussurrei.
 Então todas as lágrimas que eu segurava caíram.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Together Forever - Capítulo 34

 Justin

 Eu estava caminhando ao lado de Chaz e Ryan enquanto eles faziam uma lista de reclamações sobre a prova de história. Eles reclamavam como meninas. Meninas chatas, na verdade, mas sendo eu um grande amigo deles, aguentei até chegar em casa.
 E quando cheguei vi uma ambulância parada na porta da casa ao lado. Será que Samantha sofreu algum acidente?, pensei. O pensamento me fez estancar, fazendo Chaz e Ryan esbarrarem em mim.
 Mas eu vi Sam sendo guiada pelo paramédico. Aparentemente estava tudo bem com ela. A maca veio logo atrás. O sr. Williams estava deitado nela e parecia mortalmente pálido. Mais dois paramédicos tentavam reanimá-lo.
 A maca e os paramédicos entraram no carro, seguidos por Samantha, que parecia estar em estado de choque. As portas se fecharam e o carro partiu a toda velocidade, desaparecendo enquanto virava a esquina.
 - O que será que aconteceu? - indagou Ryan.
 - Eu não sei - respondi. - Mas não parece ser nada bom.
 Minha mãe estava parada à porta, observando o movimento se dissipando na rua. Me aproximei dela.
 - O que aconteceu, mãe? - perguntei.
 - Não sei muito bem, filho, mas parece que o sr. Williams teve um infarto - respondeu ela.
 - Caramba! - exclamei.
 - Pois é - ponderou. - Fico com pena da filha dele, a Samantha. A mãe dela está no Brasil e ela mora sozinha com o pai. Acho que ela está sozinha nessa.
 Ela deve estar sozinha mesmo, pensei. Sozinha e muito triste.
 Então uma ideia surgiu na minha cabeça.
 - Mãe, eu posso ir no hospital? - perguntei.
 - Claro! - ela respondeu. - Mas volte logo.
 - Então eu vou.
 Entreguei minha mochila a ela e voltei para onde Chaz e Ryan estavam.
 - Vou ao hospital. Querem vir comigo? - falei.
 - Não posso - respondeu Chaz. - Minha mãe quer que eu volte cedo pra casa.
 - Nem eu - concordo Ryan. - Mas traz notícias pra gente, ok?
 - Certo - respondi.
 Comecei a caminhar até o hospital. Durante todo o percurso não tirei Sam da cabeça. Tudo o que eu queria saber era se ela estava bem. Na verdade, eu sabia que não estava bem. Era impossível se sentir bem depois de saber que sei pai sofreu um infarto. Mas eu queria apoiá-la, estar com ela nesse momento difícil.
 Entrei no hospital e comecei a procurá-la. Fui do saguão principal até a emergência e não consegui encontrá-la. Mas quando eu estava passando pelo berçário, vi uma forma pequena sentada no chão com as pernas recolhidas e a cabeça abaixada. Ela soluçava de tanto chorar.
 - Hey! - sentei-me ao seu lado.
 Ela levantou a cabeça. Lágrimas molhavam o seu rosto. Os olhos estavam vermelhos. Ela não parecia nada bem. De repente ela recomeçou a soluçar.
 - Não fique assim - abracei-a.
 O abraço não foi negado. Ela deitou a cabeça no meu colo e chorou cada vez mais alto enquanto uma enxurrada de lágrimas ensopava minha calça. Mas eu não me importava com os detalhes. Tudo o que eu queria era confortá-la.
 Ela sussurrava várias coisas, algumas que eu nem chegava a entender. Mas ela foi se aquietando, os soluços parando. Até que eu só sentia um leve respirar. Ela estava dormindo.
 Eu me levantei. Peguei-a no colo e a coloquei num sofá que lá havia. Uma enfermeira trouxe um cobertor e eu a cobri. Depois eu apenas a observei no seu sono tranquilo.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Together Forever - Capítulo 33

 Eu quando eu abri a porta vi a pior cena da minha vida. Meu chão desabou. Minha cabeça girou. Tudo o que eu queria era correr e chorar.
 Havia café espalhado por todo o chão e pedaços do que já foi uma xícara. Alguns objetos que estavam em cima da cômoda estavam espalhados pelo chão junto com o café. Mas o pior não era o caos. O pior era ver o meu pai deitado no chão com os olhos fechados e a mão no ombro esquerdo.
 - Pai! - gritei.
 Ajoelhei-me ao seu lado e peguei seu pulso. Não havia pulsação. Corri até o telefone e liguei para o 911. Uma voz angelical atendeu à ligação.
 - 911, em que posso ajudar? - perguntou a voz.
 - Me-meu pai caiu no chão - gaguejei. A essa altura o inglês fugia da minha cabeça. - Acho que sofreu um ataque cardíaco. Não sei o que fazer!
 - O serviço de emergência já está a caminho! - disse a voz, que eu percebi ser de uma mulher. - Mas enquanto não chega, preciso que você faça algumas coisas pra mim, tudo bem?
 - Certo - falei. Eu estava à beira de uma crise de choro.
 A moça me falava as instruções e eu as seguia. Em dois minutos a ambulância chegou. Um paramédico tomou o meu lugar fazendo massagem cardíaca no meu pai enquanto um outro preparava um aparelho estranho. É um desfribilador, disse uma vozinha na minha cabeça. Acho que era parte do meu cérebro que ainda estava lúcida.
 - Você é a filha dele? - perguntou um terceiro paramédico.
 Apenas assenti.
 - Vamos levá-lo ao hospital. Há mais algum adulto responsável por aqui?
 - Não - sussurrei.
 - Então você terá que nos acompanhar. Vamos.
 Meu pai estava sendo colocado na maca. O paramédico me guiou até a ambulância estacionada na frente da casa. A maca com o meu pai entrou dentro do carro, com um paramédico ainda fazendo massagem cardíaca nele. Eu entrei depois e as portas se fecharam. O carro começou a andar.
 Uma máscara de oxigênio foi colocada no meu pai. O desfribilador foi encostado no seu peito. Eu queria chorar, mas não conseguia.
 A ambulância parou na emergência. Eu desci e depois a maca. Entramos no hospital e corremos. Mas quando chegamos em um ponto, eu não pude passar. Um médico segurou meus ombros. A maca desapareceu atrás de duas portas brancas.
 - A senhorita não pode passar daqui - disse o médico num tom gentil.
 - Por quê? - Minha voz mal passava de um sussurro.
 - Essa ala é apenas para pacientes e médicos - ele continuava gentil. - Eu sou o dr. Dare. Garanto que seu pai vai ficar bem. Por que não toma um café enquanto espera?
 Pedir para uma pessoa no meu estado tomar um café e esperar era o mesmo que explicar as cores para um cego, nunca daria certo. Mas mesmo assim eu saí dali.
 Comecei a caminhar pelo hospital. O lugar estava agitado, principalmente na emergência. Eu precisava de um lugar calmo para pensar. Pensar no que eu ia fazer da minha vida.
 Eu encontrei um corredor. Estava silencioso lá. Havia uma porta no fim do corredor e um vidro na parede lateral. Era o berçário.
 Atrás do vidro havia vários bebês e uma enfermeira. Alguns bebês dormiam.
 Encostei minhas costas no vidro e escorreguei pela parede até chegar ao chão. Abracei minhas pernas e encostei a cabeça nos joelhos. Se seu pai morre você pode voltar ao Brasil, disse a vozinha irritante na minha cabeça.
 Então eu chorei. Todo o choro acumulado vazou. Fechei os olhos e simplesmente chorei.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Together Forever - Capítulo 32

 Acordar de manhã não foi uma boa. Meu nariz estava entupido e escorrendo e minha cabeça parecia que ia explodir. Que belo jeito de começar o dia, pensei. Lá fora, a neblina tomava conta de tudo. Dia frio para uma garota quente. Seria ótimo.
 Coloquei roupas mais quentes. Desci as escadas para a cozinha para comer o meu cereal e tomei um susto. Meu pai estava na cozinha fritando ovos.
 - Ai, meu Deus do céu! - Quase caí para trás. - Que susto, meu Deus. O que você está fazendo aqui? - perguntei.
 - O trabalho me deu uma folga - respondeu.
 - Ah, tá!
 Sentei na bancada e comi meu cereal. Observei meu pai enquanto comia. Ele parecia pálido e sem equilíbrio.
 - Pai, você está bem? - perguntei.
 - Claro que sim! - respondeu entusiasmado.
 - Tem certeza? Eu posso ficar com hoje com você se quiser...
 - Não! Não precisa de preocupar. Vá para a escola filha.
 - Certo.
 Peguei minha mochila e fui para a escola.
 No meio do caminho, recebi uma ligação da minha mãe.
 - Mãe? - perguntei.
 - Sam? Ah, filha! Que saudades! Como está aí? - ela parecia feliz como uma criança que acaba de ganhar um doce.
 - Aqui está muito bom... - e, ao contrário da minha mãe, não havia entusiasmo na minha voz.
 - Pode falar a verdade pra mim, filha.
 Suspirei. Não havia porque mentir para a minha mãe. Comecei a contar tudo o que estava acontecendo na minha vida, parando a cada ponto e fazendo uma lista com pelo menos 20 itens de reclamações.
 Não contei a ela sobre Justin e nossos problemas de convivência. Tudo o que eu menos queria (e precisava) era os conselhos da minha mãe.
 - Mas você precisa ficar. É para o seu bem - disse minha mãe.
 - Eu entendo, mas não concordo - falei.
 - Mas você precisa ficar - repetiu ela, - pelo seu pai.
 Eu já estava chegando na escola. Chaz, Ryan e Cindy me cercaram.
 - Tudo bem - falei. - Mas eu quero voltar para casa. E rápido.
 - Prometo a você que você vai voltar logo - disse minha mãe. - Tchau.
 - Tchau. - Sorri. Pelo menos eu ia embora logo.
 Guardei o celular e levantei a cabeça. Três pares de olhos me encaravam confusos. Bem, tava na cara que eles não sabiam falar portugês.
 - Eu tava falando com a minha mãe. Apenas ignorem - falei sacudindo a mão.
 - OK - disse Cindy. - Pronta para a prova?
 - Sim - sorri. Eu estava mesmo pronta.
 - Então é melhor você correr, já vai tocar - disse Chaz.
 Ryan agarrou minha mão e começou a me rebocar até a sala de aula.
 Quando sentei na minha cadeira a professora entrou na sala de aula. A prova chegou nas minhas mãos e eu estava tremendo. Basta ter calma, pensei. Basta respirar e se acalmar.
 Mas no fim tudo deu certo. Consegui fazer uma boa prova, mesmo estando nervosa.
 Depois da prova, o dia passou voando. Eu queria correr para casa e contar para o meu pai que eu tinha ido bem na prova. Eu também queria agradecer a Justin pelo que ele fez, mas não o tinha visto durante o dia inteiro.
 Quase corri para casa.
 - Pai! - gritei quando cheguei.
 Mas não houve resposta. Ele deve estar no quarto, pensei. A porta estava entreaberta.
 - Pai - falei.
 E quando eu abri a porta...
 

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Together Forever - Capítulo 31

 - O que você faz aqui? - perguntei a ele.
 Justin se levantou do chão.
 - O que você faz aqui? - rebateu ele.
 - Como assim o que eu faço aqui?
 - Tá difícil de entender? - ele perguntou, a voz seca de ironismo. - Ou quer que eu desenhe?
 A raiva fervilhou dentro de mim, zumbiu nos meus ouvidos. Eu vou matá-lo, pensei. Eu vou matá-lo.
 - Olha aqui, seu... - comecei a falar, me aproximando dele, quando alguém me segurou por trás.
 - Que tal se a gente não matasse ninguém e começasse a estudar? - disse Chaz no meu ouvido.
 - Mas é claro que eu não vou estudar com ele! - gritei.
 - Ótimo! Vai embora então - disse Justin.
 - Já é! - virei-me para a porta.
 - Não! - Cindy segurou meus ombros. - Eu fiz isso pra te ajudar!
 - Então você sabia? - perguntei a ela.
 - Sim e não - respondeu ela. - Mas isso não importa agora. Ele está aqui e você também. E eu vou ajudar você!
 Depois de muita discussão, acabei ficando para estudar. Era só ignorar a presença irritante do outro lado da mesa. Acho que ele também ignoraria a minha presença.
 Mas o clima de estudo não foi bom. Justin e eu trocávamos olhares hostis e às vezes o silêncio era desconfortável. Quando ele explicava, não olhava para mim, apenas para Chaz, Cindy ou qualquer objeto inútil. Tudo bem, ele sabia explicar e sabia muito de história, e eu não iria desperdiçar a oportunidade de me dar bem na prova do dia seguinte. Mas, cá entre nós, eu torcia para que aquela tortura acabasse logo.
 E, quando acabou, quase comemorei. Sim, eu tinha aprendido bastante e sim, ele sabia mesmo ensinar, mas o clima de hostilidade que rolava entre nós era quase insuportável.
 - Eu preciso ir embora - falei para Cindy, recolhendo minhas coisas.
 - Ah, não vai, não! - disse Chaz ao meu lado.
 - Eu preciso ir - colocando a bolsa no meu ombro. - Meu pai tá me esperando.
 Justin parou ao meu lado.
 - Chaz, tô indo - disse ele, sem dirigir a palavra a mim. - Já tá tarde e minha mãe não me quer na rua até essa hora.
 - Justin e eu trocamos mais um olhar hostil.
 - Tchau Cindy! - abracei-a. - Obrigada pela ajuda. Tchau Chaz!
 Saí batendo a porta.
 Caminhei pela rua lenta e preguiçosamente. Ouvi passos atrás de mim. Preparei o grito, mas quando vi, era apenas Justin. Ele começou a caminhar em silêncio, ao meu lado. Eu também não disse nada. Logo o silêncio se tornou desconfortável.
 Estávamos chegando na nossa rua quando eu decidi acabar com o silêncio entre nós.
 - Então vai me ignorar pelo resto da vida? - perguntei.
 - Ah, claro que não! - ele respondeu.
 - E por que não?
 - Porque você é MUITO irritante! - berrou ele. - Principalmente depois daquela caninha na casa da sua amiga.
 - Idiota! - gritei de volta.
 Marchei a passos duros até a minha casa. Entrei batendo a porta com demasiada força.
 - Sam? É você? - perguntou meu pai.
 - Sou eu sim pai - respondi.
 - Aprendeu alguma coisa?
 - Sim, pai.
 - Certo.
 Dei boa noite e subi para o meu quarto. Depois de um dia como aquele, principalmente na parte da tarde, só mesmo um longo banho e uma boa noite de sono para esquecer aquilo, pelo menos momentaneamente.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Together Forever - Capítulo 30

 Minha cabeça girava quando acordei de manhã. Quase caí no chão quando levantei da cama. Recuperei o equilíbrio com dificuldade. Depois me arrastei até o chuveiro. Hoje o dia prometia ser bem longo.
 Enquanto comia meu cereal, fiquei pensando no sonho que tive na noite passada. Sonhei que alguém tocava meu rosto com carinho. Acordei assustada pensando que a minha mãe precisava de alguma coisa. Que bobagem a minha, pensei. Minha mãe está a quilômetros de distância daqui.
 Chaz e Ryan não vieram me buscar em casa naquele dia, então a caminhada foi solitária. Eles eram legais, mas era um pouco chato ser assediada a cada minuto pelos dois.
 Pensar no sonho da noite passada me levou imediatamente a pensar no sonho que eu não tinha há muito tempo. O sonho com o garoto. Havia algo no toque e na voz dele que me era tão familiar, mas eu não conseguia me lembrar de onde.
 Fui tirada do meu devaneio por Cindy gritando comigo.
 - Sam! Eu preciso falar com você!
 - Ei! Calma! - falei quando ela quase esbarrou em mim.
 Cindy parou, colocou as mãos nos joelhos e respirou um pouco. Depois levantou a cabeça e me encarou.
 - Eu tenho a solução para o seu problema sobre a prova de amanhã de história, mas você precisa concordar, e ele também, e eu não sei se você concorda, porque vocês não se dão bem, e eu não sei se ele aceita, mas se ele aceitasse seria tão bom, e eu deixaria você usar a minha casa, porque eu sei que sei pai não deixaria e eu quero que você se dê bem na prova e...
 - Cindy! - cortei o que ela falava. - Que diabo você tá falando?
 - Amanhã tem o teste de história e você não sabe nada, mas eu sei de uma pessoa que pode te ajudar.
 - E quem seria essa pessoa?
 Nesse momento Chaz, Ryan e Justin chegaram na escola. Cindy gesticulou com a cabeça para Justin. Claro! O sabe-tudo tinha que estar metido no meio.
 - Claro que não! - berrei.
 - Por que não? Ele sabe história e você não!
 - Porque eu o odeio e ele me odeia. Quais são as chances disso dar certo?
 - Se os dois quiserem vai dar certo!
 - Mas eu não quero!
 Saí andando a passos duros. Será que ninguém me entendia nesse inferno gelado?
 O sinal tocou e eu fui para a aula.
 No meio da aula meu celular começou a vibrar no meu bolso. Peguei o aparelho para ver quem me ligava. O número no visor era da minha mãe. Felizmente eu tinha colocado o celular no silencioso. Infelizmente a professora conseguiu ver o aparelho na minha mão e o tomou, só devolvendo no final da aula.
 Na hora do almoço Cindy veio falar comigo. Ela tinha cara de culpada.
 - Tudo bem! - disse ela. - Eu me precipitei! Você o odeia, ele te odeia e vocês de odeiam! Eu só queria ajudar.
 Sorri para ela.
 - Eu sei que você só queria ajudar, mas ele nunca daria certo.
 - Mas se você ainda quiser ir à noite na minha casa para estudar comigo...
 Olhei para a sua carinha de cachorro pidão.
 - Eu vou.
 Ela sorriu imediatamente.
 - Ah! Valeu! - ela me deu uma abraço apertado.
 - Depois da escola eu vou lá.
 - Tá bom!
 Quando a aula terminou fui para a casa. Tomei banho, troquei de roupa e escrevi um bilhetinho para o meu pai dizendo onde eu estaria.
 Caminhei até a casa de Cindy e toquei a campainha. Ela disse para mim entrar. Quando entrei, vi um garoto sentado no chão, na mesa de centro. Era Justin.
 - O que você faz aqui? - perguntei a ele.